Disgrafia e Disortografia, o que é isso?





Antes de mais nada é importante diferenciar os dois termos. Embora alguns autores falem de Disgrafia englobando os dois conceitos, há um consenso em classificar da seguinte maneira:

Disortografia é o déficit do processo cognitivo na produção textual e ortografia, ou seja estamos falando aqui de coerência e fluência na produção de textos, e também do escrever ortograficamente correto. Ela pode ser caracterizada então por:

1. Dificuldade em organizar e expressar ideias de forma escrita, segundo as regras ortográficas;

2. Pobre organização de parágrafos e pontuação;

3. Erros gramaticais

4. Erros ortográficos

Atualmente não se fala mais em disortografia, pois ela é considerada quase que uma consequência natural da dislexia, e andam sempre juntas. Para melhorar o processo de escrita, o uso de corretores de texto, referências visuais que auxiliem a lembrar a grafia correta das palavras e não descontar nota pelos erros ortográficos são algumas considerações. Para a produção textual, o uso de mapas mentais, estrutura de texto e permitir o uso de aplicativos que transformam o ditado em escrita são bons auxiliares.

Já a Disgrafia é um transtorno da psicomotricidade, que afeta a qualidade da caligrafia, neste caso, estamos falando da legibilidade da escrita, da sua organização na página, como tamanho da letra, espaçamento das palavras, etc. Suas principais características são:

1. Caligrafia irregular,

2. Letras desproporcionais,

3. Muitas rasuras,

4. Espaçamento irregular entre letras ou palavras (sobrepondo ou desconectando)

5. Traçado irregular de letras e números.


A disgrafia apresenta forte comorbidade com a dislexia, mais de 40% dos disléxicos são também disgráficos. No entanto a disgrafia pode aparecer de forma isolada, caso mais famoso é do empresário Bill Gates, que tem apenas disgrafia. Outra personalidade famosa é a escritora Agatha Christie, dos conhecidos livros cheios de mistério. Ela era tanto disléxica como disgráfica, a tal ponto que tinha uma pessoa só para escrever suas histórias. Ela ditava.


Exercícios para estimular a coordenação motora, como trabalhar com argila, ou traçados entre linhas, entre outros, são bons estímulos para quem tem disgrafia. Permitir o uso do computador também pode ser indicado em muitas situações, já que a dificuldade é apenas na escrita à mão.

Como a escrita é uma forma muito importante de comunicação, é relevante que os educadores estejam atentos e conheçam as estratégias para minimizar as dificuldades.


Nadine Heisler Educadora e Cofundadora da Domlexia